Na campanha de escavações realizada em 1997, na colina genética de Tavira, o Alto de Santa Maria (1), pusemos a descoberto um troço de larga muralha de alvenaria de pedra calcária aglutinada com barro, que classificamos como fazendo parte de um conjunto defensivo fenício, não só pelas suas dimensões, como ainda pelo espólio que lhe estava associado.
Tavira, situada na margem direita do rio Gilão, tem uma localização ideal, no que respeita ao domínio da foz deste rio que, não formando um delta, desagua Numa zona de sapais que comunicam com a Ria Formosa.
A colina de Santa Maria tem a sua cota mais elevada cerca de
20 m. acima do nível do mar, formando uma possível paleopenínsula, num ponto em que a água do mar invade o leito do rio, tornando-o perfeitamente navegável, na maré cheia. No seu sopé, os navios podiam fazer aguada, abastecendo-se de água doce e potável, num ponto onde hoje ainda existe uma fonte, alimentada por uma nascente que mana do topo e onde os olhos de água brotam no leito...